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Mostrando postagens com o rótulo Opinião

Educação para “vir-a-ser”

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Investir em educação seria a solução para as constatações de José Mujica e Achille Mbembe? Contrapondo o capital, poderemos salvar nossa “vir-a-ser” humano em meio a luta desenfreada pelo “vir-a-ter”? Segundo o relatório de 2018 da FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations, a fome aumentou no mundo nos últimos três anos, porém ao compararmos com dados de 2005, a América Latina e Caribe conseguiu reduzir o quadro de desnutrição. Deixamos a marca de 9,1 % de subnutridos em 2005 para 6.1 % em 2017. Destaco a América do Sul que atingiu a marca de 5 % de pessoas subnutridas em 2017. Esses números, apesar de ainda calamitosos, refletem as políticas de divisão de renda e combate a fome implementadas nesses anos para o combate e a redução da fome como: Fome Zero (Brasil), o Plano Nacional de Alimentação e Nutrição (Colômbia), os programas de segurança alimentar (Venezuela). Dados como esse justificam as palavras do ex-presidente uruguaio José Mujica em en...

Drogas: liberar, sim ou não?

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C ompartilhei uma “meme” que convidava a todos os usuários de drogas ilícitas a boicotar o candidato conservador que disputa nossas eleições em 2018. Alguns amigos me questionaram e prometi que explicaria. A violência se tornou uma prática sem fim. No lugar de cada narcotr a fic ante abatido ou aprisionado, surge dois outros dispostos a iniciar uma nova guerra pelo território e pelo lucrativo negócio. Drogas ilícitas, liberar sim! Me posiciono a favor da liberação ampla das drogas, a começar pela maconha. A princípio, parece uma loucura, mas me guio por algu ma s ide i a s liberais . Segundo a reportagem do jornal Hoje em Dia, de 7 de janeiro de 2017, o narcotráfico no Brasil movimenta R$ 15,5 bilhões por ano. Somente a maconha gira em torno de R$6,7 bilhões. Tamanho negócio, é alvo de disputas do crime organizado e promove uma das maiores matanças do globo. Dados da Secretaria de Segurança do Rio Grande do Norte estimam que 70 % das mortes está ligada ao narcotr...

Besouro - o filme

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O resgate da arte da capoeira misturada as tradições religiosas de matriz africana. O resgate de uma negritude esquecida. Assisti ao filme Besouro com o objetivo de encontrar uma mídia que apresente uma imagem positiva de nós negros. Meu intuito era encontrar representações onde negros e negras assumem o protagonismo, o papel heroico e tornam-se inspirações para nossas almas. A escolha se baseia na condição de que representatividade importa. O filme retrata a história de Manoel Henrique Pereira, conhecido como Besouro Mangangá, que no início da década de 1920 luta contra a opressão que negro, do candomblé e da capoeira. O primeiro ponto que me chamou a atenção foi como a escravidão perpetuou após a assinatura da Lei Aurea. Naquele tempo, muitas comunidades só foram comunicadas semanas ou meses depois sobre a abolição. Entretanto, muitos ex-escravizados continuaram ligados aos antigos senhorios, conforme relata Rios e Mattos. Nesse cenário de abuso e opressão surge Besour...

Adeus a Lula?

Minha mente se volta para a condenação de Lula em segunda instância e me pergunto o que pode significar isso para a nossa política. Gostaria muito de acreditar que a condenação de Lula reflete que possuímos uma constituição e uma base moral sólida. Entretanto, sabemos que não é verdade. Nos últimos tempos, vemos o presidente Michel Temer cometendo atos que o levariam direto par a um impeachment, mas com o apoio do congresso e a distribuição de emendas parlamentares, ele comprou a sua sobrevivência. Se alguns estão acima da lei e outros não, posso afirmar que Lula não está. Não está porque ele ousou se opor àqueles que governam de fato esse país. Aqueles, não são a maioria dos cidadãos brasileiros que viam na candidatura de Lula uma forma de recuperar as conquistas sociais que estão indo para o abismo com o governo Temer. Se damos adeus a Lula, deveríamos pensar: quem nos representará em 2018? Existe um descrédito de nossa classe política. Alguns oportunistas podem aproveitar...

Águas que protegem

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Placa de Iemanjá depredada. Na noite de sábado, 16 de dezembro de 2017, visitei a nova Praça de Iemanjá, na orla da Lagoa da Pampulha. A estátua, inaugurada em 1982, foi restaurada e está emoldurada pelo maravilhoso portal de Jorge dos Anjos que referencia nossos orisàs. Em uma reportagem sobre a obra de restauração, me informei que o posicionamento da imagem, a dez metros da orla, é devido à necessidade de proteção para a imagem contra a depredações. Sábia decisão. Inaugurada em 12 de dezembro de 2017, a nova praça de Iemanjá já foi depredada. O nome da divindade foi removido da placa da prefeitura que nomeia o espaço. A revolta que sinto ao ver a depredação é tão grande quanto ver a Igreja de São Francisco de Assis pichada. São dois monumentos públicos, construído para a população e, que integra área recém-tombada como patrimônio mundial da humanidade pela Unesco. Mais que uma questão de desrespeito a cidadania, arrancar o nome de Iemanjá da placa é uma prática de...

O Visionário Major Quaresma

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O presidente Floriano Peixoto responde ao Major Quaresma qual foi a sua opinião sobre o memorando lhe entregue: “Quaresma, você é um visionário”. Essa frase poderia resumir o quanto nós, brasileiras e brasileiros, somos paralíticos patrióticos em um país que nunca decola. Editado pela primeira vez em 1915. o “Triste fim de Policarpo Quaresma” faz uma crítica tenaze sincera da sociedade e do brasileiro. Major Quaresma é um funcionário público na jovem república de Floriano Peixoto. Trabalha em uma repartição que, como muitas outras, serve de cabide de empregos para uma classe média. Entretanto, Quaresma não fica atoa. Ele aproveita seu ócio na repartição e em casa para estudar as maravilhas de nossa terra. Os estudos da personagem o leva a concluir que nós brasileiros constituímos um povo sem identidade, que patina em se tornar uma nova Europa. Para ele, precisávamos nos singularizar, cortar as heranças com nosso ex-colonizador. Precisávamos de algo que fosse apenas nosso. C...

Militância e perdas de direitos religiosos

Desde algum tempo, sinto que a palavra militante não é bem-vista. Às vezes, percebo que soa como um palavrão, ou pior, é jocosamente utilizada: “Eita, lá vem o militante.” Se adicionarmos comunista ao vocábulo, danou-se. “Que saco, esse militante-comunista”. Segundo o Dicionário Online de Português, militante é aquele que milita, que defende uma causa ou busca transformar a sociedade através da ação e não da especulação. Por favor, não confundam com militar ou com miliciano. Em tempos funestos, onde observamos um endurecimento das instituições e das mentalidades, nunca foi tão necessário lutar por direitos fundamentais. Nunca foi tão necessário militar. Quem acompanha as redes sociais e jornais teve contato com notícias e vídeos de terreiros invadidos, de praticantes do candomblé e umbanda sendo hostilizados e obrigados a quebrar seus objetos religiosos e sagrados. Somente, em Nova Iguaçu – RJ, esse ano foram registradas oito ocorrências. “Filipe, são marginais”, diria...

Nunca para

Às vezes, me pergunto: “Quando a morte de negros findará? Quantos mais precisaremos sacrificar nessa sociedade que moi nossos ossos e carne? Quantos mais: um, dez, milhões?” Investi um pouco de tempo para ler algumas crônicas de Cidinha da Silva , contidas no livro #Parem de nos Matar . Em seguida, resolvo assistir “ Mandela: Um longo caminho ”. Volto para Cindinha. Me derreto em sangue e indignação. De acordo com as informações da Atlas, a cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. Mortes, mortes e mais mortes de negros por armas de fogo, disparadas por policiais brancos. Pelo Estado branco. O estado que luta pela hegemonia, que não aceita a dividir um vintém com os mais pobres; a riqueza que essa humilde e desprovida camada gera. Essa parcela que soma mais de cinquenta por cento da população brasileira, formada por negros e pardos. Na história da abolição da escravatura no Brasil, encontramos menções a como a Inglaterra pressionou Portugal para acabar com o trá...

Carvão

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Quando as portas do teatro se fecham e a cortina se abre, emergimos em outro mundo. É na França, em plena segunda grande guerra, que encontramos os personagens, Jim e Hans, enclausurados em um mina de carvão. Entretanto, não são apenas os limites da mina que cerceiam suas liberdades, mas a psique em conflito de cada um. Os laços de sangue, segredos, amores, o frio enregelante, situações e sentimentos que marcam a pele dos personagens como a fuligem e a sujeira do carvão. Com personagens potentes e um cenário belíssimo, a história se desenrola baseada na obra de Jean Genet. Com questionamentos atuais, Carvão marca a cena teatral belo-horizontina apresentada pela Cia Drática de Teatro. Talvez, sem ter essa pretensão, a peça estabelece um diálogo com nossa contemporaneidade. Os personagens estão massacrados pelo dono da mina, sem nenhum direito a humanidade. É isso ou a morte pelo frio invernal. Algo que a reforma ...

SENZALA

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Segundo uma edição do dicionário Aurélio que possuo, muito antiga por sinal, Senzala é um substantivo feminino que significa “casa ou alojamento de escravos; casa imunda que serve de morada para vadios e desordeiros; maloca.” Em pleno treze de maio, data que foi promulgada a Lei Aurea, penso o que leva alguém a batizar um restaurante com esse nome. Será o analfabetismo histórico ou o racismo? Antes que atirem a primeira pedra, não me refiro somente ao estabelecimento em São Paulo, que virou notícia nas últimas semanas. Existem outros, aqui na cidade, onde o horizonte não é mais tão belo, há dois bares com o nome. O que faço nesse texto é convidá-los a pensar sobre a luta contra o racismo no Brasil. Realmente, o vencemos? Temos uma sociedade desprovidada de preconceito racial, que garante oportunidades iguais para todos? Analisamos a primeira parte do significado dada pelo dicionário: “casa ou alojamento de escravos”. Eram pocilgas onde negros escravizados passavam a ...

Luxo só, violência e machismo

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Duas matérias me chamaram a atenção ao ler o Estado de Minas de terça-feira, 7 de março de 2017. A primeira, manchete de capa: “A cada hora 15 mulheres são agredidas em Minas”. A segunda: “Luxúria e polêmica”. Segundo a manchete, mulheres pardas e negras somam 61,1 % das vítimas de violência doméstica. Em sua maioria, são os parceiros, maridos e namorados os autores das agressões. Os números são subestimados, pois muitas mulheres não denunciam os seus agressores. Empaticamente, tento me colocar no lugar dessas vítimas de nossa sociedade machista e imagino o quanto é penoso entrar em uma delegacia e fazer uma queixa contra a pessoa que, a princípio deveria ser um parceiro de vida. As pressões que essa mulher precisa conciliar para ter a coragem de fazer a denúncia. São períodos longos de agressões psicológicas e físicas. A família do agressor, em sua grande maioria, tenta colocar o famoso panos-quentes, afinal, roupa suja se lava em casa. Conforme informada pela dele...