Postagens

Mostrando postagens de julho, 2016

Abracadabra, magia da privatização

A palavra “abracadabra” poderia ser substituída por “privatizar” nas apresentações de mágicos. Sim, pois parece que ela é a solução mística para todos os problemas gerados pela incompetência administrativa das instituições públicas. A matéria “Crise força o fim do injusto ensino superior gratuito” do site globo.com, insiste nesse tema. Privatizar é a solução para o problema econômico e social do país. Mas cabe a nós fazer uma análise mais profunda do que a abordada pelo editorial. Economicamente, privatizar as universidades públicas significaria um aporte de taxas de matrículas e mensalidades para as instituições. Dinheiro que as retiraria do atoleiro financeiro que se encontram. Entretanto, a massa cinzenta de centenas de doutores, mestres, pesquisadores e alunos de iniciação científica, poderiam passar a vender serviços para a sociedade. Desenvolver parcerias lucrativas com empresas para que resultados das pesquisas gerem patentes e, consequentemente, royalties a ser pago pa...

Verdade absoluta!

Certa vez escutei que alguma coisa por mil vezes dita, tornava-se verdade. Entretanto, ao me deparar com o dramaturgo e escritor italiano Luigi Pirandello, esse conceito se desconstruiu. Basta dizermos uma única vez, para nós mesmos. Deixando meus escrúpulos de lado, tentei buscar algo que pudesse desmentir o dito popular e o escritor. Perguntei a uma amiga se ela conhecia algo que todos concordavam que era verdade. Algo que poderíamos chamar de “realidade absoluta”. Eis que ela me confronta dizendo: “O céu é azul”. Que nada! Uma pessoa sofredora de daltonismo, possivelmente, não enxerga o céu como azul. Voltei meu olhar para as discussões futebolísticas. Um jogador recebe a bola em posição duvidosa e balança as redes (Goollllll). Comemora, mas seu regozijo torna-se frustração quando percebe, na lateral do campo, o assistente de árbitro com a bandeira erguida. Inúmeras verdades, eu vejo aqui. A do goleador que reclama, a do bandeira, do juiz e dos milhares de torcedores que gri...

Reflexões sobre a loucura

Assistir ao filme “Nise - O coração da Loucura” me fez pensar um pouco sobre a loucura ou a normalidade do mundo. Todos os dias, levantamos, tomamos um café regado a pão e margarina, como se nossas vidas fossem como os comerciais da Qualy. Algumas pessoas não têm direito a nem isso. Vão para a lida somente com um pingado. São cerca de 12 a 14 horas longe de casa, preso dentro de um escritório, uma oficina, atrás da barraca de fruta, vendendo nossa força de trabalho, sabe-se lá para quem. Sabemos sim, para S.A, LTDA ou alguém que nem o nome nós conseguimos pronunciar. Ao fim do dia, voltamos para nossos lares, ligamos a TV e assistimos ao jornal e a novela. Temos a certeza do dever cumprido e que contribuímos para a riqueza do país. Esse é o resumo de nossas vidas diárias, normais, alienandas e meritocráticas. Eis que surgem aqueles que desafiam essa lógica. Essa normalidade e naturalidade mórbida que nos conduz ao paraíso. Pessoas que a ciência, as religiões ou quaisq...

As Sufragistas

Não tenho a intenção aqui de avaliar o filme “As Sufragistas”, que assisti no fim de janeiro. Esse trabalho, o deixo para os críticos cinematográficos. Gostaria colocar em debate a relevância do tema para nós, brasileiros em pleno século 21. O movimento sufragista consiste na luta das mulheres pelo direito ao voto. Isto é, direito às mulheres de participarem ativamente da sociedade e com o seu poder de decisão contribuir para a condução da mesma. No Brasil, as mulheres conquistam o direito ao voto em 1932. Na França, as mulheres passaram a votar amplamente apenas em 1944 e na Suíça, 1971. Ressalto que, ainda hoje, há países no mundo que não permitem o voto de mulheres. O filme retrata como o voto não consiste em um simples fato de ir às urnas e escolher. É o rompimento da mulher com o mundo machista e opressivo. É a luta por igualdade de direitos oportunidades de instrução e igualdade de salário. A pergunta que faço é: em 2015, temos uma sociedade igualitária? Noss...

Banalização as redes sociais

Ferreira Gullar algum tempo atrás escreveu como a TV se postava como única responsável e fonte verdadeira da informação. Talvez, nos dias de hoje, aquela crônica, da qual não me recordo o título abarcaria as redes sociais. Facebook, You Tube, Istagram, Google+, Twitter, Wattzap, dentre muitas outras opções absorvem o nosso tempo e mente em uma avalanche de informações minuto a minuto. Talvez, até mais rápido que isso. Estamos conectados praticamente vinte quatro horas por dia. Almoçamos, jantamos, tomamos até banho com o celular perto, simplesmente para não perder aquela mensagem importantíssima que poderá chegar a qualquer momento. E não é que ela chega? Chegam mensagens a todo instante. Mensagens e notícias desimportantes, enfadonhas, vexatórias, descartáveis, muitas vezes mentirosas. Entretanto, não conseguimos abrir mão delas. Lemo-las e sorrimos com nossa falta de assunto. Para completar o circulo vicioso da droga, compartilhamo-las. Não precisamos abrir mais um ...