Dois heróis
Ana Maria Gonçalves invoca no prologo de “Um Defeito de Cor”a palavra: serendipidade, descoberta ocasional, o que descobrimos por acaso. É de “Outras Rosas” à “O Topo da Montanha” que passo por uma nova descoberta, assim, sem querer. “Eu não penso que deveria ter que me levantar”, texto de Anderson Feliciano apresentado na 5ª Janela Dramatúrgica, foi o começo de um encontro, a mim nunca anunciado. Uma frase que poderia ser dita com um grito, mas que no meio-silêncio, é aterradora. Ela trouxe-me o feito de Rosa Parks, a mulher negra que em 1° de dezembro de 1955, cidade de Montgomery (Alabama ), recusa-se a ceder o lugar em que estava sentada em um ônibus para um homem branco. O ato foi um desafio ao sistema de apartheid vivido no tão idolatrado EUA. Deixei o teatro com uma constatação. Estava muito longe de conhecer as personalidades negras que lutaram por nós. Ignorante eu estava e continuei. Não fui atrás de descobrir mais sobre essa mulher. Dias depois, encontro...