Postagens

Mostrando postagens de outubro, 2016

Dois heróis

Imagem
Ana Maria Gonçalves invoca no prologo de “Um Defeito de Cor”a palavra: serendipidade, descoberta ocasional, o que descobrimos por acaso. É de “Outras Rosas” à “O Topo da Montanha” que passo por uma nova descoberta, assim, sem querer. “Eu não penso que deveria ter que me levantar”, texto de Anderson Feliciano apresentado na 5ª Janela Dramatúrgica, foi o começo de um encontro, a mim nunca anunciado. Uma frase que poderia ser dita com um grito, mas que no meio-silêncio, é aterradora. Ela trouxe-me o feito de Rosa Parks, a mulher negra que em 1° de dezembro de 1955, cidade de Montgomery (Alabama ), recusa-se a ceder o lugar em que estava sentada em um ônibus para um homem branco. O ato foi um desafio ao sistema de apartheid vivido no tão idolatrado EUA. Deixei o teatro com uma constatação. Estava muito longe de conhecer as personalidades negras que lutaram por nós. Ignorante eu estava e continuei. Não fui atrás de descobrir mais sobre essa mulher. Dias depois, encontro...

Conflito existencial

Voltaire se questionava: - Por que ser um humano, se me faço ciborgue? - Shakespeare não previu isso.

Sagarana

Imagem
O sertão e eu - por Filipe L. Dias Meu primeiro contato com Guimarães Rosa foi quando li “Grandes Sertões Veredas”. Passou quase vinte anos para que eu voltasse a visitar a obra do autor. Acabo de ler “SAGARANA”. É incrível como a obra atravessa o tempo e se mostra ainda atual. A obra editada pela editora Nova Fronteira, reúne nove contos do mestre. Todos os contos são um retrato do sertão brasileiro, mais precisamente Minas Gerais. As relações humanas são o mote de cada história, narradas com um vocabulário que transporta o leitor para o meio do sertão. “O burrinho pedrês”, primeiro conto do livro me arrebatou pelo pescoço, me tirou o fôlego. Duelo é surpreendente.  Me vi em “Corpos fechado” realizando todas as mandingas para me trazer boa sorte. Agora, “Conversa de Bois”, é fantástico e me levou a refletir o quanto o quanto somos capazes de reagir, com sangue nas mãos e tristeza nos olhos, quando somos oprimidos e ignorados em nossa essência humana. Não é...