Nem todos os negros, são negros
Almoçava no restaurante da empresa. O de sempre, alface, tomate, carne, arroz e feijão. Estava saboroso e entre uma garfada e outra alguém reclamava da empresa ou do setor. O assunto estava cansativo. Todos os dias, nos perdíamos na mesma “chorumela”. Resolvi falar um pouco da palestra que assisti sobre o Dia da Consciência Negra, na sede da OAB em Belo Horizonte. Nesse momento, um amigo pergunta-me o que eu achava das propostas de Fernando Holiday: combate ao vitimismo, fim das cotas raciais e revogação do dia da Consciência Negra. Surge, em minha mente, a passagem do livro “Um Defeito de Cor”, da escritora Ana Maria Gonçalves. Na obra, ela ressalta a pele retinta dos carcereiros nos tumbeiros. Pretos escravizando e vendendo pretos. Automaticamente, me lembro das aulas sobre o projeto escravocrata brasileiro, no qual capitães do mato e feitores também eram negros. O primeiro “ganhava a vida” caçando escravos que ousavam fugir e buscar a liberdade. O último era o braço do ...