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Mostrando postagens de janeiro, 2017

Pingos na janela

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Gotas nas janelas, Tempestuosa, inescrupulosas, Regam dúvidas, Diluem certezas. Gotas em meu rosto, Emocionais, canibais, Rasgam minha carne, Amores abissais. Gotas, agora pingos grossos, Não sinto o seu gelar agulhante, Ficam na janela, amórfico escudo, Diáfano, transparente. No fundo escuro, turvado reflexo, Fantasma seco em meio aos pingos, Palpitante  coração, Encharcado de um distante amor.

Meu coração tem cor

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Quando assisti Rosa Choque, espetáculo dirigido por Cida Falabella e estrelado por Cris Moreira e Guilherme Théo, algo tinha que mudar em mim. A peça propõe ao público uma reflexão sobre a identidade e a representatividade que o gênero possui em nossa sociedade. Suas passagens me levam até Simone de Beauvoir que diz: ”...ninguém nasce mulher, torna-se mulher.” Mostra como nossas identidades são forjadas, impressas com o ferro quente, cultural, em nossos psicológicos. Somos socialmente moldados. No discurso de gênero, percebo o quanto somos direcionados a nos tornarmos machistas e misóginos. Destinamos as roupas azuis para os meninos e as rosas para as meninas ao nascerem. Desde cedo, as garotas aprendem a cuidar de um bebê em suas brincadeiras com bonecas. Já os garotos, afastados dessas possibilidades, são incentivados a lutarem, serem fortes e nunca chorarem. Certa vez, quando criança, observava minhas irmãs brincarem. Cada uma tinha um papel: mãe, empregada, filha...