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  • Filipe Lutalo

Um olhar pedagógico sobre RATATOUILLE


Ratatouille. Direção de Brad Bird. Estados Unidos: Pixar, 2007, 115 min, son., colorido.


Lançado em 2007, Ratatouille, animação produzido pela Pixar, foi dirigido por Brad Bird. Destaco as vozes de Lou Romano (Liguini), Patton Oswalt (Remy) e Bradd Garrett (Gusteau) e Janeane Garofalo (Colette). Com 115 minutos de duração, o filme recebeu a classificação de animação, comédia, família e fantasia.


Um rato chamado Remy sonha em se tornar um grande chef, apesar dos desejos de sua família e, o problema óbvio de ser um rato em uma profissão, onde todos, decididamente, possuem fobia de roedores. Quando o destino coloca Remy nos esgotos de Paris, ele se encontra embaixo de um restaurante que ficou famoso por seu herói culinário, Auguste Gusteau. A paixão de Remy por cozinhar logo coloca em movimento uma hilária e empolgante corrida de ratos que vira o mundo de Paris de cabeça para baixo.


Remy tem um excelente dom, o olfato apurado. Na fazenda onde mora, o melhor trabalho que consegue é o de ser detector de veneno de rato. Em suas horas vagas, escapa para a casa da dona da fazenda, onde assiste ao programa culinário deAuguste Gusteau.

Em uma de suas escapadelas até a cozinha, é descoberto e na desesperada fuga, acaba chegando a Paris e aoGusteau's, restaurante de seu ídolo. De forma inusitada, ele faz uma parceria com Liguini, um simples ajudante e começa a trabalhar como cozinheiro.

Quando toda a farsa é descoberta, o crítico gastronômico Anton Ego, faz uma linda reflexão sobre o trabalho de um crítico e abre um bistrô, com nada mais que o rato Remy como Chef de cozinha.


A história chama atenção pelo caráter pedagógico do enredo. O lema de Auguste Gusteau, “Qualquer um pode cozinhar”, nos revela que todas as pessoas possuem habilidades para fazerem coisas, quaisquer coisas. Ninguém é incapaz. Com perseverança, estudo e dedicação, podemos atingir nossos objetivos.


Remy persevera na cozinha. Sem um curso formal de gastronomia, ele aprende a cozinhar graças ao livro de Gusteau e aos programas culinários que assistia. Podemos classificá-lo como autodidata. O rato Remy torna-se um cozinheiro, mediante a uma educação não formal, longe de uma instituição de ensino.


Segundo Lévy (2010, p. 177), o sistema de diplomas é inadequado nos dias de hoje. A cibercultura provoca mudanças, como a transição de uma educação e uma formação estritamente institucionalizada para uma situação de troca generalizada dos saberes. O ensino da sociedade passa a ser feito por ela mesma, de reconhecimento autogerenciado, móvel, contextual das competências. O saber adquirido de foma não formal também precisa ser consagrado.


É evidentemente para esse novo universo do trabalho que a educação deve preparar. Mas, simetricamente, é preciso admitir também o caráter educativo ou formador de numerosas atividades econômicas e sociais, o que certamente coloca o problema de seu reconhecimento ou validação oficial, o sistema de diplomas parecendo cada vez menos adequado. Além disso, o tempo necessário para homologar novos diplomas e para constituir os cursos que levam até eles não está mais sincronizado com o ritmo de evolução dos conhecimentos. (LÉVY, 2010, p. 177)

Em Ratattoulle, a competência de Remy, tantas vezes questionada pelo chef Skinner, é admitida pelo público e pelo crítico Anton Ego. É a imensa fila de espera do restaurante Ratattoulle que demonstra a competência de Remy como um chef e não um diploma.


Isso não desqualifica o reconhecimento oficial, mas atribui, segundo Lévy que toda a aquisição de competências deve poder dar lugar a um reconhecimento social explícito. A aceitação dos saberes poderia favorecer o desenvolvimento das formações alternativas e de toda as formações que atribuíssem um papel importante à experiência profissional.


Sendo assim, poderíamos reescrever a frase de Gusteau para: “Qualquer um pode aprender”. E esse aprendizado deve ser reconhecido independente do título que o acompanha.


Referencias bibliográficas:


LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.


FORLANI, Marcelo. Crítica: Ratatouille. Disponivel em: https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/critica-ratatouille. Acesso em 10 jan. 2021.


PIXAR. Ratatouille. Disponivel em: https://www.pixar.com/feature-films/ratatouille/. Acesso em 10 jan. 2021.


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